1,fevereiro 27,2024 11:39

Eventualmente parece que todo desperdício de vida sem razão ganha seu próprio lenço de lágrimas. Esta é a única maneira de justificar ”Flores do Oriente”, no qual o veterano diretor chinês Zhang Yimou revive o massacre de Nanjing, de 1937, fazendo algo parecido com um musical, com pausas para ocasionais assassinatos tenebrosos ou estupros. Não há nada que obrigue um filme de atrocidades a ser um desastre por si só; filmes como ”E o Vento Levou” e ”Gallipoli” tem seus pontos positivos. Mas muito antes das suas duas horas de duração acabarem, ”Flores do Oriente” é afogado pela desproporção entre os eventos retratados e o estranho, leviano e distante tratamento do Sr. Zhang com eles – em essência, sua relutância em demonstrar um ponto de vista, uma parcialidade em um dos capítulos mais pavorosos da história chinesa.

O filme tem recebido caridosa publicidade por ser tão caro, aprovado pelo governo e entregue às mãos da academia para concorrer ao Oscar, e as notas sobre a produção tem ficado ainda mais altas, justamente porque a estrela do filme, o inglês Christian Bale, foi terminantemente proibido de visitar um advogado ativista chinês, o qual encontra-se em prisão domiciliar.

Mas os receios de que o Sr. Zhang tenha tomado um posicionamento unidimensional e patriótico sobre a abordagem japonesa na invasão e ocupação de Nanjing (formalmente chamada Nanking), enquanto infundadas, não fazem qualquer sentido. Isto porque outros filmes chineses recentes demonstraram um nacionalismo sentimental muito mais profundo, jingoísmo e demonização do iminigo japonês.

Sua real abordagem dos eventos que tomaram lugar em 1937 tem o objetivo servir como pano de fundo do melodrama hollywoodiano de luxo, o qual o transformou no favorito dos estúdios. Neste processo, ele falhou na maioria dos aspectos – grandeza, pesquisa histórica, abordagem genuína – que teria feito o filme valer a pena.

O trailer é uma cortesia da Row 1 Entertainment >

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