Extra — 17 de julho de 2012
Edward Norton – Uma criança prodígio e um legado de sucessos

Edward Norton é um ator americano. Considerado por muitos um dos maiores atores da nova geração, conseguiu um estrelato instantâneo ao atuar em Primal Fear (1996) onde acabou salvando o filme da mediocridade e ganhando o respeito da crítica que o laureou com indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar. Ele estreou no cinema interpretando um homem com dupla personalidade em Primal Fear e voltou a interpretar alguém com o mesmo distúrbio em Clube da Luta. Quem acompanha a carreira dele tem a certeza de que Norton possui muito mais do que apenas duas pessoas. Ele é simplesmente um dos mais versáteis actores em Hollywood.

O sucesso estava no sangue da família de Norton, já que o seu avô, James Rouse, é um dos mais renomeados arquitetos dos EUA e do mundo. Para se ter uma ideia, a cidade em que Norton nasceu foi fundada por James como um projecto de habitação popular. O seu pai era um advogado público e a sua mãe era professora – ambos sem nenhum interesse em atuar. Foi sua ama que o levou pela primeira vez para ver uma peça, um musical baseado em Cinderella, em que ela atuava juntamente com um grupo de teatro amador. Norton encantou-se imediatamente com a profissão.

Desde pequeno, já era considerado inteligente e um pouco precocemente sério. Aos oito, decidido, inscreveu-se na Orenstein’s Columbia School for Teathrical Arts, onde estreou no palco com o espectáculo Annie Get Your Gun. Reza a lenda que, já desde criança, Norton levava tudo com muito profissionalismo e fez o director da peça gargalhar ao perguntar para ele qual era a motivação do seu personagem na peça.

Quando conseguiu uma vaga na concorridíssima Universidade de Yale, o ator preferiu formar-se em História. Paralelamente, manteve os ensaios teatrais e aprofundou-se ao máximo no assunto, fazendo vários cursos e workshops. Norton também estudou japonês pois, depois de se formar, em 1991, mudou-se para Osaka, no Japão, para ajudar o avô num projecto que oferecia moradia decente e barata para famílias com baixa renda. Até hoje Norton fala japonês fluentemente.

Ainda trabalhando na companhia do avô, a Enterprise Foundation, Norton regressou a Nova Iorque. O emprego pagava as contas e assim sobrava-lhe tempo para correr atrás de papéis no teatro. Começou com Fragments, do dramaturgo Edward Albee, encenado pela New York Signature Theater Company. Norton impressionou bastante Albee e, depois do sucesso no cinema, chegou a tornar-se director da companhia de teatro.

O salto para o cinema ocorreu dois anos depois, com Primal fear. Para conseguir o papel, Norton derrotou 2100 colegas com um truque baixo: disse aos directores de elenco que, assim como o personagem, havia nascido em Kentucky. Na verdade, o actor aprendeu o sotaque vendo outros filmes. E os directores acertaram ao escolhê-lo: no papel de um assassino com síndrome de múltipla personalidade, Norton salvou o filme da mediocridade. Conseguiu até mesmo uma indicação ao Oscar de melhor actor secundário – e, graças a essa estreia explosiva, Norton nunca mais parou.

No mesmo ano já foi convocado por dois grandes directores para papéis de destaque: Woody Allen o escalou como noivo levemente distraído do musical Everyone says I love you e Milos Forman o quis como advogado de Larry Flynt em The People vs. Larry Flynt. Foi neste último que o actor iniciou o seu relacionamento com a roqueira e atriz Courtney Love. No auge do romance, ele até se apresentou duas vezes em Los Angeles com a banda dela, o Hole.

A partir de 1998, sua carreira entrelaça-se com a de outro actor talentoso da mesma faixa de idade: Matt Damon. Ambos atuaram juntos em Rounders, drama sobre um estudante de Direito com imensa habilidade com cartas de baralho que é levado de volta ao mundo da jogatina pelo melhor amigo, um ex-presidiário. Como laboratório para o filme, a dupla chegou a participar do Campeonato Mundial de Pôquer em Las Vegas. O dinheiro das apostas foi patrocinado pela Miramax, estúdio responsável por Rounders.

Norton viria a tentar o papel principal em The Rainmaker, mas perderia-o para Damon. Anos depois, Norton deu o troco recusando o papel principal de O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg, e deixando-o para Damon.

Outros papéis para os quais Norton era a primeira escolha dos produtores: o de Andy Kaufman em Man on the Moon (que ficou com Jim Carrey) e Patrick Bateman em Psicopata Americano (que ficou com Christian Bale).

Norton não se importou em passar o papel de Ryan ao amigo Damon. Ele estava ocupado demais ganhando peso e treinando para ficar com o corpo de Derek Vinyard, o neonazista que lhe garantiria a segunda indicação ao Oscar em American History. Com o sucesso de crítica do filme, porém, veio uma grande polémica. O director Tony Kaye acusou Norton e a produtora New Line de terem editado a obra sem a sua autorização.

O ator deixou Kaye falando com as paredes enquanto partia para o seu mais bem-sucedido projeto até hoje: o drama Clube da Luta, do cineasta David Fincher. É até hoje o filme de Norton mais vendido pela internet. Para se preparar melhor para o papel, ele e Brad Pitt tiveram aulas sobre como fazer sabão. A experiência foi tão inusitada que os dois tornaram-se grandes amigos. Norton até foi convidado para o casamento do galã com Jennifer Aniston, em 2001.

Com apenas cinco anos de carreira no cinema e duas indicações ao Oscar no currículo, em 2000 Norton achou que já era hora de experimentar a carreira de director/realizador. Para a sua estreia, escolheu um filme ligeiro, uma comédia romântica sobre um padre e um rabino que apaixonam-se pela mesma mulher. Tenha Fé era baseado na história de um colega de Norton, enquanto ele estudava em Yale. O filme recebeu críticas positivas e teve um volume de bilheteira razoável.

No ano seguinte, Norton teria o prazer de contracenar com os veteranos Robert De Niro e Marlon Brando no filme A Cartada Final, policial dirigido por Frank Oz. Norton fazia um ladrão que, em parceria com De Niro, tentava roubar um cetro antigo que valia uma fortuna. Variando os seus papéis, em 2002 Norton viria para o lado certo da lei, como o agente do F.B.I. Will Graham, que prende Hannibal Lecter em Dragão Vermelho. Aliás, 2002 provou-se um ano especialmente atribulado para o astro, que, a pedido da então namorada Salma Hayek, fez uma ponta em Frida; protagonizou o novo filme de Spike Lee, 25th hour; e ainda teve tempo para trocar uns sopapos com Robin Williams em Morra Smoochy, Morra.

A sequência de sucessos não parou mais, O Ilusionista, O Incrível Hulk, Força Policial, Moonrise Kingdom, e agora em 2012 com O Legado Bourne

O trailer é uma cortesia da Universal Pictures >

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Sobre o Autor

Jânio Nazareth

O jornalista Jânio Nazareth cobre a indústria do cinema em Hollywood, em Los Angeles. Além de produzir o boletim Repórter Hollywood na internet, também cobre as novidades da 7a arte para o programa Okay Pessoal com Otávio Mesquita no SBT